Garçom e garçonete – Uma história curiosa

Quase todos nós utilizamos alguma vez ou outra a palavra garçom, mas você sabe de onde ela vem e a curiosa história por detrás dela?


Talvez alguns possam saber que a palavra garçom vem da palavra francesa garçon. Mas talvez quase ninguém saiba que as duas não têm o mesmo sentido. Mas como isso? É uma história bem interessante e que vale a pena ser contada.

Depois da segunda guerra mundial, a população de homens adultos franceses estava bastante reduzida. Assim sendo, em vários lugares as crianças tiveram que ajudar nos serviços, sendo que alguns desses jovens começaram a servir em bares e restaurantes. Quando alguém do local lhes pedia alguma coisa, dirigia-se a eles utilizando a palavra garçon. Palavra essa que em francês significa menino.

Porém vários soldados estrangeiros freqüentavam esses lugares, e pensavam que a palavra garçon designava a profissão. E quando esses soldados voltaram a seus países, acabaram levando a palavra com eles. Assim ela começou a ser usada no Brasil, por exemplo.

E o pior de tudo é a palavra garçonete. Ette é o final diminutivo feminino da língua francesa. Então garçonete seria uma palavra masculina com um final feminino, algo como "meninozinha".

Então se algum dia você for pedir uma cerveja em algum bar da França, utilize a palavra francesa: Serveur para homens e serveuse para mulheres.



Dúvidas, sugestões, reclamações? Envie-nos uma mensagem!

4 comentários:

Andressaa disse...

hahahaha!

Anônimo disse...

KKKKKKKKK adorei a história. Muito legal, faz todo o sentido. Não esqueço mais a tradução desta palavra francesa.

Anônimo disse...

Bacana demais saber a origem das palavras. Obrigada.

Anônimo disse...

“Prezado Sérgio: o nosso uso da palavra garçom tem sua origem no ‘garçon’? Se sim, ‘pourquoi’?” (João Henrique Sampaio)

Sim, João Henrique, nossa palavra garçom é tomada diretamente do francês garçon, que tem a acepção primária de “moço, garoto, jovem do sexo masculino”.

Nosso sentido moderno de garçom (“empregado encarregado de servir as pessoas em restaurantes, cafés, coquetéis, residências etc.”, na definição do Houaiss) passou a ser usado em francês em meados do século XVIII, segundo o Trésor de la Langue Française, e entre nós no último quarto do século XIX, tempo de galicismos em profusão. Os puristas chiavam, mas não podiam evitar que muitas palavras deitassem raízes no português.

Antes disso, desde o século XIII, já se registrava em nosso idioma o vocábulo garção, hoje praticamente em desuso, mas apenas na acepção de “moço”.

É curioso observar como a sombra do empregado, do serviçal, daquele que trabalha atendendo os outros, esteve presente desde o início no francês garçon, uma palavra oriunda do frâncico wrakkjo (“vagabundo”) e que em sua primeira encarnação era grafada garçun.

Segundo o mesmo TLF, citado acima, o sentido mais antigo de garçun, datado do ano 1100, era “rapaz de classe social inferior, especialmente no exército, na cozinha, na caça”. No francês antigo, explica o dicionário, valet e garçon eram palavras carregadas de sentido de classe: “A criança nobre era chamada valet, e a criança de classe social inferior, garçon”.

*

Envie sua dúvida sobre palavra, expressão, dito popular, gramática etc. Às segundas e quintas-feiras o colunista responde ao leitor na seção Consultório. E-mail: sobrepalavras@todoprosa.com.br

Postar um comentário

 
BlogBlogs.Com.Br